MISSIONÁRIOS FALAM SOBRE XERENTES ORDENADOS AO MINISTÉRIO PASTORAL

 

E o sonho se tornou realidade!

 

Por Pr. Guenther e Wanda Krieger

Missionários entre os indígenas Xerente, no Tocantins

 

 

“Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.”

Isaías 55.11

 

Ainda na década de 50 tivemos a visão de que o povo Xerente, então analfabeto, enfermo, vivendo em grande miséria e a caminho da extinção, poderia ter um novo amanhã pelo poder transformador do evangelho de Cristo.

Passaram-se anos, lustres e décadas, com obstáculos inúmeros a serem vencidos, mas a pregação do evangelho não cessou e pelo poder do Espírito a Palavra começou a germinar nos corações trazendo salvação e descortinando novos horizontes àquela gente outrora sofrida e desesperançada.

E agora, já encanecidos, os obreiros, encorajados pelo mesmo Espírito, sonhavam os seus sonhos (Joel 2.28). Entre eles um da maior relevância era a chegada do dia em que o bastão do cuidado pastoral seria passado não a outros obreiros vindos de fora, mas a filhos do próprio povo.

E foi nos dias cinco e seis deste mês de setembro que o sonho virou realidade. Três irmãos Xerente, Silvino Sirnãwẽ Xerente, Pedro Waĩkainẽ e Sinval Waĩkazate Xerente, homens já maduros e na liderança de diferentes congregações por vários anos, preparados tanto em conhecimentos seculares como no conhecimento das Escrituras Sagradas e das doutrinas básicas da fé cristã, a pedido das igrejas que dirigem, se apresentaram para exame ao Concílio reunido no templo da Igreja Batista da aldeia Nrõzawi na noite do dia cinco próximo passado.

Entre os pastores participantes do Concílio estavam três pastores indígenas: o pastor Eli Tikuna, vindo do Amazonas, o pastor Luiz Terena do Mato Grosso do Sul e o pastor Edson Bakairi do Mato Grosso. Estes foram escolhidos para serem os examinadores dos candidatos.

Respondidas as perguntas dos examinadores e sendo os três considerados aptos para o Ministério da Palavra pelos membros do Concílio, foi suspensa a sessão do mesmo e marcado o seu reinício para a manhã do dia seis, por ocasião da celebração do culto de imposição de mãos.

Assim, naquela manhã ensolarada, reunidos ao ar-livre, à sombra das frondosas mangueiras da aldeia, começando com orações e cânticos de louvor em Xerente e em Português, teve lugar o culto de consagração dos três novos pastores que deram convincente testemunho de sua conversão e chamada. O pastor Eli Ticuna, orador da ocasião, nos trouxe uma vibrante mensagem da Palavra de Deus que tocou fundo no coração de índios e não índios.

Chegado o momento da imposição de mãos, ajoelhados os consagrandos sobre esteiras, segundo a tradição Xerente, foi a oração consagratória precedida pela cerimônia do “Kuiro nõmrĩ”, em que os pastores Guenther Carlos Krieger e Rinaldo de Mattos depositaram suas bordunas perante os três novos pastores indígenas, ato que simbolizou o transferir da responsabilidade quanto à liderança do trabalho do Senhor entre o povo Xerente.

Consagrados ao ministério pastoral com a imposição das mãos pelos pastores presentes e uma oração feita pelo pastor Guenther Carlos Krieger, foi feita a entrega das Bíblias aos novos obreiros. A seguir, após a palavra de representantes da Junta de Missões Nacionais e da Ordem dos Pastores Batistas, foi impetrada a Bênção Apostólica em Xerente pelos novos pastores e com uma oração pelo pastor Josimar Rodrigues Costa, ilustre Diretor Executivo da Convenção Batista do Tocantins, foi encerrada a sessão do concílio e concluídos os trabalhos do dia.

Pelo que viram e ouviram, quantos ali estiveram puderam constatar que também entre o povo Xerente a Palavra de Deus não voltou vazia.

(Fonte: Publicado por Junta de Missões Nacionais) 

 

 

Convenção Batista do Tocantins